A vida que vale a pena ser vivida

Esses dias assisti ao filme francês “A vida de outra mulher”. A história despertou minha atenção por se tratar de uma mulher, Marie, que acorda de manhã e não sabe quem ela é. Sua última lembrança é de 15 anos atrás.

Ela simplesmente não lembrava que era mãe de um garoto de aproximadamente 8 anos, executiva de sucesso, rica e em pleno processo de divórcio. Aliás, a última lembrança era da noite que conheceu e se apaixonou pelo marido.

Com esse pano de fundo faremos uma reflexão muito pertinente a nós, mulheres contemporâneas. Assumimos uma infinidade de papéis: somos profissionais liberais, mas, podemos ser também colaboradoras de alguma empresa. Somos patroas, empregadas, mães, mas também somos filhas, irmãs, tias, somos sócias, conselheiras, amigas, esposas, amantes… Enfim, são tantas identidades dentro de uma só!

 

E aí é que está o risco de perdermos nosso código de barras! Aquilo que realmente nos identifica, que nos diz quem somos. A personagem Marie “esqueceu” quem ela era e o que havia feito da vida dos 25 aos 40 anos. Justamente o período em que estamos a todo vapor!!

Estamos no auge da produtividade seja para carreira profissional, seja para relacionamentos, ou para maternidade. Mas e aí? Vamos jogar tudo para o alto e sair “surtando” como a Marie?

Assim que o filme terminou, fiquei ruminando sobre tudo isso. Lembrei-me de uma frase “E a vida que vale a pena? Só pode ser uma. A sua. Esta mesma que você está vivendo desde que nasceu. Mas com tudo. Seus encontros, certamente. Mas também seus sonhos, suas ilusões, seus medos e esperanças e, por que não, suas filosofias também”, escreveu um autor que gosto muito, o professor Clóvis de Barros Filho.

Depois de muito filosofar, convoquei Gonzaguinha e adormeci ouvindo que O que é, o que é:

“E a pergunta roda

E a cabeça agita

Eu fico com a pureza

Da resposta das crianças

É a vida, é bonita e é bonita”